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NotŪcias

Descarte de materiais elétricos

A maior parte dos res√≠duos s√≥lidos t√≥xicos produzidos no pa√≠s √© constitu√≠da por l√Ęmpadas, latas de inseticidas e de tintas, pilhas e baterias. Norma instrutiva do Ibama rec√©m-publicada traz regras para coleta, acondicionamento, frequ√™ncia de recolhimento e destina√ß√£o desses equipamentos.
Diariamente, s√£o recolhidasno Brasil aproximadamente 180 mil toneladas de res√≠duos s√≥lidos, dos quais mais da metade desses res√≠duos √© depositada em lix√Ķes a c√©u aberto, sem antes receber qualquer tipo de tratamento. Os dados s√£o da √ļltima pesquisa nacional de saneamento b√°sico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica (IBGE), que revela ainda que, atualmente, apenas 18% das cidades brasileiras contam com o servi√ßo de coleta seletiva.
Do total produzido no pa√≠s, cerca de 1% corresponde a res√≠duos s√≥lidos t√≥xicos. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Tecnol√≥gicas (IPT), a maior parte desses res√≠duos √© de restos de l√Ęmpadas fluorescentes, latas de inseticidas e tintas, term√īmetros, pilhas e baterias.
Trata-se de um preju√≠zo econ√īmico que passa dos R$ 8 bilh√Ķes por ano, afirmam especialistas. Taxado como lixo, esse material poderia ser reutilizado como mat√©ria-prima, como insumo para produ√ß√£o de novos produtos, gera√ß√£o de energia e at√© mesmo fonte de renda para quem o recolhe.
Este cen√°rio j√° evidencia a import√Ęncia da destina√ß√£o adequada do lixo e dos centros de reciclagem. A separa√ß√£o, por exemplo, permite a reutiliza√ß√£o,a reciclagem, a agrega√ß√£o de maior valor ao material a ser reciclado e a gera√ß√£o de renda e melhores condi√ß√Ķes de trabalho para coletores de lixo. Al√©m disso, a compostagem diminui a demanda de utiliza√ß√£o dos recursos naturais, aumenta a vida √ļtil dos aterros sanit√°rios e gera menor impacto ambiental na dispensa final dos materiais.
A maior preocupa√ß√£o √© quanto as amea√ßas √† sa√ļde e ao meio ambiente, provocados por diversas subst√Ęncias qu√≠micas presentes nas pilhas, baterias e l√Ęmpadas fluorescentes, principalmente o merc√ļrio, o c√°dmio, o chumbo, o zinco-mangan√™s e o alcalino-mangan√™s.
Estudos cient√≠ficos mostram que algumas dessas subst√Ęncias podem levar √† anemia, a problemas neurol√≥gicos e ao desenvolvimento de c√Ęncer. No meio ambiente, o descarte das pilhas e baterias pode contaminar os len√ß√≥is fre√°ticos, o solo e a alimenta√ß√£o.
Nesse sentido, a Pol√≠tica Nacional de Res√≠duos S√≥lidos (PNRS), sancionada em 2010, traz determina√ß√Ķes importantes para o recolhimento e correto descarte dos res√≠duos, incluindo os elementos com n√≠vel t√≥xico, como pilhas, baterias, pneus, l√Ęmpadas fluorescentes e embalagens de agrot√≥xicos. As empresas receberam o prazo de dois anos para disponibilizarem pontos de recolhimento e tomarem as medidas cab√≠veis para providenciar a destina√ß√£o adequada para esses equipamentos.

Legislação
Desde o ano 2000, o Brasil exige que os fabricantes produzam pilhas e baterias com quantidades m√≠nimas ou nulas de metais poluidores como os citados anteriormente. A obrigatoriedade √© parte da resolu√ß√£o n¬į 257 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 1999. A resolu√ß√£o surgiu da necessidade de coibir os pronunciamentos de diversas empresas que insistiam em afirmar que o descarte de pilhas e baterias no meio ambiente era algo naturalmente aceit√°vel e n√£o nocivo √† sa√ļde humana e do meio ambiente.
Em 2004, a norma ABNT NBR 10.004 determinou que pilhas, baterias e l√Ęmpadas fluorescentes s√£o classificadas como res√≠duos perigosos e, por isso, devem ter coleta e destina√ß√£o distintas. A NBR pro√≠be estas mat√©rias de serem descartados no lixo comum, devido √† alta toxicidade.
Previsto em lei, estabelecimentos comerciais que realizam a revenda destes produtos são obrigados a recebê-los e enviá-los para tratamento adequado. Estes materiais são separados entre os produtos tóxicos e os que podem ser utilizados na confecção de novos produtos, evitando o desperdício de matéria-prima e recursos naturais.
A Log√≠stica Reversa, que exige a obrigatoriedade de recolhimento de embalagens ou dos pr√≥prios produtos fabricados depois de usados pelo consumidor, est√° prevista na Pol√≠tica Nacional de Res√≠duos S√≥lidas (PNRS), que foi sancionada em 2010. O Decreto n¬į7.404/10 e a Resolu√ß√£o n¬į401/08 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) tamb√©m fazem refer√™ncia ao projeto. Pilhas e baterias est√£o entre os produtos citados no artigo 33 da PNRS. Tamb√©m est√£o expl√≠citos pela legisla√ß√£o os pneus, as l√Ęmpadas fluorescentes e as embalagens de agrot√≥xicos.
O projeto ainda prev√™ a extin√ß√£o dos lix√Ķes a c√©u aberto em todo o territ√≥rio nacional, at√© 2014. Entretanto, ser√° necess√°rio manter os aterros sanit√°rios, para onde s√£o destinados 10% dos res√≠duos s√≥lidos n√£o reaproveit√°veis. A nova legisla√ß√£o criou propostas de compromisso e de responsabilidade tamb√©m ao setor privado para que este estruture um Plano de Gerenciamento de Res√≠duos S√≥lidos.
As empresas receberam prazo de dois anos para disponibilizarem pontos de recolhimento. Outro ponto importante √© o destino dos res√≠duos recebidos, que dever√£o ser encaminhados de maneira ambientalmente correta para os fabricantes e importadores. No texto h√° ainda outras exig√™ncias, como a proibi√ß√£o da fabrica√ß√£o e importa√ß√£o de pilhas e baterias com percentuais de subst√Ęncias t√≥xicas superiores aos estabelecidos em todo territ√≥rio nacional. Os fabricantes ter√£o de realizar estudos para substituir merc√ļrio, c√°dmio e chumbo contidos nos produtos ou reduzir seu teor at√© os valores mais baixos vi√°veis tecnologicamente.
Dois anos? Vence quando? Quais s√£o os percentuais m√≠nimos? Algum exemplo? Falar mais sobre as exig√™ncias. De onde √© essa norma instrutiva? √Č obrigat√≥ria? Pra quem deve ir esse relat√≥rio anual?
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov√°veis (Ibama) tamb√©m est√° acompanhando de perto o descarte de res√≠duos eletr√īnicos e materiais el√©tricos.O controle sobre a fabrica√ß√£o, o uso e o descarte de pilhas e baterias est√° regimentado por meio da Norma Instrutiva n√ļmero 8, publicada dia 4 de setembro de 2012, no Di√°rio Oficial da Uni√£o. Pela norma, h√° uma s√©rie de regras para o descarte do material, transporte, reciclagem e acondicionamento, assim como a determina√ß√£o para que os fabricantes e importadores elaborem um relat√≥rio anual, informando em detalhes os procedimentos adotados.
No texto, existe o alerta para a necessidade da utiliza√ß√£o de s√≠mbolos de identifica√ß√£o, como um ‚ÄúX‚ÄĚ, por exemplo, na tampa dos recipientes de lixo, indicando que n√£o se deve descartar o material naquele local. De acordo com a norma, a coleta de pilhas e de baterias descartadas dever√° seguir uma s√©rie de regras, como o acondicionamento, a frequ√™ncia de recolhimento do material, a destina√ß√£o e as empresas envolvidas.
As embalagens tamb√©m precisam sofrer altera√ß√Ķes. Os fabricantes dever√£o informar sobre a adapta√ß√£o √†s novas regras contidas na norma para o descarte e reciclagem. Dever√£o orientar o consumidor quanto √† destina√ß√£o correta, descartando o material em coletas seletivas pr√≥prias, que podem ser encontradas em postos de vendas e em f√°bricas, mas nunca em lixos comuns.
O transporte deverá ser feito por empresas especializadas, e os responsáveis pela coleta dos resíduos deverão informar ao órgão regulador todos os envolvidos no processo, assim como os locais de origem e destino. Todas as empresas envolvidas na etapa da reciclagem também são submetidas à norma fixada pelo Ibama.

Compostos químicos
A maioria das pilhas e baterias √© descartadano lixo comum sem nenhum tratamento t√©cnico espec√≠fico. Em nosso pa√≠s, a reciclagem de pilhas e baterias √© baixa, influenciada principalmente pelo costume que as pessoas possuem de descartar todo tipo de material no mesmo lixo, inclusive pilhas e baterias usadas,em vez de lev√°-las aos postos de coleta das operadoras. Segundo um relat√≥rio da Associa√ß√£o Brasileira da Ind√ļstria El√©trica e Eletr√īnica (Abinee), em2008, somente 1% das pilhas descartadas foi reciclado.
Entre todos este √© o maior problema, de acordo com a opini√£o do engenheiro e professor de Circuito de Sistemas Digitais, do curso de Engenharia da Computa√ß√£o do IBTA (Instituto Brasileiro de Tecnologia Avan√ßada), Nelson Massaia.Ele destaca que as pessoas de modo geral e os profissionais do segmento n√£o sabem a destina√ß√£o e o manuseio correto de pilhas e baterias.‚ÄúMuito j√° foi dito e veiculado sobre os riscos de manuseio inadequado de pilhas, baterias e l√Ęmpadas fluorescentes‚ÄĚ. Por√©m, ainda existem pessoas sem informa√ß√£o, que ainda descartam seus componentes el√©tricos (pilhas, baterias e l√Ęmpadas fluorescentes) no lixo comum. ‚Äú√Č a oportunidade das cooperativas de coletores, muitas das quais fazem a separa√ß√£o e a destina√ß√£o destes componentes‚ÄĚ, afirma o professor.
Para Massaia, algumas pessoas preferem agir como se n√£o fosse importante ou grave dispensar os res√≠duos eletr√īnicos e el√©tricos junto ao lixo comum, mesmo tendo acesso √† informa√ß√£o:‚Äúh√° quem minimizeos riscos que existem, que s√£o reais tanto para a sa√ļde como para as condi√ß√Ķes ambientais do planeta‚ÄĚ disse.
Outro grupo, mais numeroso, tem consci√™ncia dos riscos, mas n√£o manipula corretamente estes componentes. ‚ÄúMas como fazer a destina√ß√£o correta? Faltam os meios para fazer o descarte correto: qual o local certo? A que empresa deve ser encaminhado o material? √Č preciso embalar? Quem pode fazer a separa√ß√£o ou sele√ß√£o destes componentes?‚ÄĚ, questiona Massaia. ‚ÄúA popula√ß√£o precisa ser instru√≠da‚ÄĚ, afirma.
‚ÄúJ√° temos no Pa√≠s 1.800 pontos de recolhimento de pilhas e baterias. Falta ainda que os consumidores se habituem a entreg√°-las‚ÄĚ, comentou Zilda Veloso, gerente de Res√≠duos Perigosos do Minist√©rio do Meio Ambiente. Ela ainda ressaltou a presen√ßa de metais pesados prejudiciais ao meio ambiente. ‚ÄúPrincipalmente as pilhas comuns e especialmente aquelas compradas no com√©rcio irregular‚ÄĚ, alertou.
De acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), é possível descartas pilhas e baterias em aterros sanitários, desde que estes sejam empreendimentos sustentáveis. A dificuldade é que no Brasil, apenas 10% dos aterros são sustentáveis, segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), órgão ligado à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista.
As pilhas e baterias s√£o compostos principalmente por merc√ļrio, chumbo, cobre, zinco,c√°dmio, mangan√™s,n√≠quel e l√≠tio. S√£o muitos elementos qu√≠micos mal√©ficos √† sa√ļde do ser humano e nocivos ao meio ambiente.
A pilha nada mais √© que uma miniusina port√°til que transforma energia qu√≠mica em energia el√©trica. Seu funcionamento √© como uma bomba de el√©trons, removendo-os de um polo positivo (catodo) e empurrando-os para um polo negativo (anodo). A rea√ß√£o qu√≠mica que consome/libera el√©trons no interior da c√©lula, √© denominada rea√ß√£o de oxida√ß√£o-redu√ß√£o. Enquanto est√° ocorrendo a rea√ß√£o, h√° um fluxo constante de √≠ons, com obten√ß√£o de uma corrente el√©trica. J√° a bateria √© um conjunto de pilhas interligadas convenientemente, composta por catodos e anodos m√ļltiplos.
Há vários tipos de pilhas que se diferenciam não só no tamanho, como também nas utilidades e matéria-prima. As principais, no entanto, são as pilhas alcalinas (feitas de alcalina e manganês), e as comuns (fabricadas com zinco e manganês).Veja os outros tipos de pilhas e baterias e os efeitos que seus elementos podem causar às pessoas:
‚ÄĘ De n√≠quel-metal-hidreto: utilizadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks. A elevada exposi√ß√£o humana a esses elementos pode causar irrita√ß√£o gastro intestinal, n√°useas, v√īmitos, diminui√ß√£o de apite, vertigens, dor de cabe√ßa, palpita√ß√£o, dermatite e asma.
‚ÄĘ De zinco: podem ser usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks. Em contato com o corpo humano, h√° sintomas como sensa√ß√Ķes depaladar adocicado e secura na garganta, tosse, fraqueza, dor generalizada, arrepios, febre, n√°usea e v√īmitos.
‚ÄĘ De l√≠tio: tamb√©m utilizadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks. Se tiver sua embalagem danificada, os elementos que comp√Ķem esta bateria, como o l√≠tio met√°lico e o di√≥xido de mangan√™s, podem provocar altera√ß√£o do sistema nervoso central, vis√£o turva, ru√≠dos nos ouvidos, vertigem, debilidades e tremores.
‚ÄĘ De √≠on-l√≠tio: aplicadas principalmente em celulares, telefones sem fio, filmadoras, ipods e notebooks. Compostas por √≠on-l√≠tio, em vez de l√≠tio met√°lico e √≥xido de cobalto litiado, essas baterias podem ocasionar os mesmos problemas que a bateria de l√≠tio, por√©m, o maior problema √© a possibilidade de, caso uma bateria de √≠on-l√≠tio falhar, ela poder se incendiar.
‚ÄĘ De chumbo: baterias utilizadas em autom√≥veis, al√©m de ind√ļstrias e tamb√©m empregadas em filmadoras. √Č altamente t√≥xico. Pessoas expostas a este produto podem ter o c√©rebro e o sistema nervoso prejudicados, o sistema circulat√≥rio dos rins pode ser afetado, o sistema digestivo e reprodutor tamb√©m, eleva√ß√£o da press√£o arterial e at√© mesmo uma muta√ß√£o gen√©tica.
‚ÄĘ De n√≠quel-c√°dmio: usadas em telefones sem fio, celulares, barbeadores, etc. O c√°dmio √© um agente cancer√≠geno, que provoca muta√ß√Ķes gen√©ticas nas c√©lulas alterando sua fun√ß√£o e pode causar danos ao sistema reprodutivo.
‚ÄĘ De √≥xido de merc√ļrio: usadas em instrumentos de navega√ß√£o e aparelhos de instrumenta√ß√£o e controle. Este elemento qu√≠mico pode provocar efeitos danosos na pele e mucosas, n√°useas violentas, v√īmito, dor abdominal, diarreia com sangue, danos aos rins e at√© morte. Em outros casos, a intoxica√ß√£o pode ser cr√īnica com sintomas como tremores, vertigens, irritabilidade e depress√£o, associados √† saliva√ß√£o, estomatite e diarreia, falta de coordena√ß√£o motora, perda de vis√£o e audi√ß√£o e deteriora√ß√£o de c√©lulas nervosas.
Cientificamente comprovado, os tr√™s √ļltimos tipos s√£o os mais danosos ao meio ambiente e √† sa√ļde dos seres humanos, devido aos seus componentes qu√≠micos. A necessidade de devolv√™-las aos fabricantes para um destino adequado √© essencial. J√° os outros tipos t√™m um impacto menor na sa√ļde e no meio ambiente, por√©m, em grandes quantidades s√£o t√£o nocivos quanto qualquer outro material t√≥xico.
No organismo, esses elementos t√≥xicos podem bloquear grupos funcionais essenciais para a atua√ß√£o de biomol√©culas, deslocar outros metais presentes no organismo e modificar conforma√ß√Ķes de s√≠tios ativos e a estrutura quatern√°ria de prote√≠nas.
A resolu√ß√£o CONAMA n¬į401/08 estabelece os limites m√°ximos de chumbo, c√°dmio e merc√ļrio para pilhas e baterias comercializadas no territ√≥rio nacional e os crit√©rios e padr√Ķes para o seu gerenciamento ambientalmente adequado.

Reciclagem
O √≠ndice de reciclagem de baterias e pilhas no Brasil ainda √© irrelevante, mas est√° progredindo. De acordo com dados do relat√≥rio anual da Abinee, o Brasil produz e comercializa aproximadamente 1,2 bilh√£o de pilhas e 400 milh√Ķes de baterias por ano.
Al√©m disso, no √ļltimo dia 19 de dezembro, a Ag√™ncia Nacional de Telefonia (Anatel), divulgou balan√ßo apontando que o m√™s de novembro/2012 foi encerrado com 260 milh√Ķes de linhas celulares ativas. Isso sem contar eventuais manuten√ß√Ķes, tablets, aparelhos MP3 e outros eletr√īnicos que utilizam milh√Ķes de baterias que podem ser descartadas a qualquer momento.
Em agosto de 2011, o Minist√©rio do Meio Ambiente divulgou, em conjunto com a Abinee, um relat√≥rio apontando que em 2010 o Pa√≠s recolheu 8 milh√Ķes de baterias, por√©m reciclou apenas 0,1% desse total. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, lembrou ainda que uma pesquisa realizada no Brasil mostrou que 17% da popula√ß√£o brasileira ainda guarda lixo eletroeletr√īnico em casa.
Ciente da situação alarmante, a Abinee iniciou um plano de Logística Reversa, que completou um ano em novembro de 2011. Neste período, 120 toneladas de pilhas e baterias foram recolhidas nos 1.054 postos de coleta espalhados em todo o Brasil.
A iniciativa atende ao estabelecido na Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determina que todas as pilhas e baterias de uso doméstico devem ser devolvidas aos comerciantes, e que estes, por sua vez, encaminhem o material, por meio de transportadora específica e certificada, a uma empresa que faz a reciclagem desse material.
De acordo com a regulamenta√ß√£o da Pol√≠tica Nacional de Res√≠duos S√≥lidos (PNRS), o objetivo da Log√≠stica Reversa √© implementar a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Fica definido que √© obrigat√≥ria a estrutura√ß√£o e a implementa√ß√£o de sistemas para as cadeias produtivas de pilhas e baterias, l√Ęmpadas fluorescentes, l√Ęmpadas de descarga (a vapor de s√≥dio e merc√ļrio e de luz mista), agrot√≥xicos (res√≠duos e embalagem), pneus, produtos eletroeletr√īnicos e seus componentes.
Na iniciativa privada, destaca-se o projeto Papa-Pilhas do banco Santander, que recolhe pilhas e baterias desde 2006. De acordo com um relatório emitido pela instituição, até 2010 foram recolhidas 470 toneladas em 2.833 pontos de coleta. São Paulo foi o estado que mais coletou: foram 101,8 toneladas, 59% do total. O Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, com 21,6 toneladas representando 13% do total, os outros Estados, juntos somaram 48,3 toneladas (28% do total).
O material depositado no recipiente Papa-pilhas é conferido, recolhido e transportado para uma empresa que separa os elementos. As pilhas e baterias são desencapadas e os metais são queimados em fornos industriais, evitando a emissão de gases poluentes.
A reciclagem desses materiais resulta na produ√ß√£o de √≥xidos e sais met√°licos que podem ser reutilizados como mat√©ria-prima para a cria√ß√£o de outros produtos. Passando por diversos processos ‚Äď como aspectos t√©cnicos e operacionais, administrativos, gerenciais, econ√īmicos, de desempenho na produtividade e qualidade na preven√ß√£o, segrega√ß√£o, redu√ß√£o, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento, recupera√ß√£o e destina√ß√£o ambiental adequada ‚Äď um projeto respons√°vel de gerenciamento dos res√≠duos s√≥lidos deve incorporar:
- Prevenção e redução da geração;
- Reutilização e reciclagem;
- Tratamento e destino adequado dos diferentes materiais reutiliz√°veis/recicl√°veis;
- Tratamento adequado dos res√≠duos org√Ęnicos;
- Destino final ambientalmente adequado dos rejeitos;
- Recuperação de áreas degradadas pela disposição inadequada.

De acordo com empresas que reciclam pilhas e baterias, o processo se resume basicamente a:
‚ÄĘ Descarregamento, sele√ß√£o e separa√ß√£o ‚Äď Antes de iniciar a reciclagem √© preciso selecionar os produtos com alguma semelhan√ßa de mat√©ria-prima.
‚ÄĘ Corte de pilhas - A primeira separa√ß√£o feita √© da carca√ßa (normalmente de pl√°stico) e do restante. O material que n√£o pode ou n√£o √© aproveitado para as empresas que fazem reciclagem de pl√°stico, por exemplo.
‚ÄĘ Moagem ‚Äď Na moagem, √© feita a separa√ß√£o de alguns metais como o a√ßo, que tamb√©m segue para outras empresas que reciclam o material. Neste processo, surge o p√≥ qu√≠mico.
‚ÄĘ Reator qu√≠mico ‚Äď Essa √© a fase em que o p√≥ qu√≠mico passa por rea√ß√Ķes qu√≠micas como precipita√ß√Ķes, que podem formar diferentes compostos qu√≠micos. A escolha do produto vai depender da necessidade do mercado.
‚ÄĘ Filtragem e prensagem ‚Äď Uma nova separa√ß√£o √© feita, dessa vez entre l√≠quidos e s√≥lidos, utilizando-se de filtros e prensa.
‚ÄĘ Calcinador ‚Äď Em uma esp√©cie de forno, os elementos s√≥lidos s√£o aquecidos.
‚ÄĘ Nova Moagem ‚Äď Com os produtos condensados, √© feita uma nova moagem.
‚ÄĘ Produto final ‚Äď Resultado processo s√£o sais e √≥xidos met√°licos usados por ind√ļstrias de tintas, cer√Ęmicas e outros tipos de produtos qu√≠micos.
‚ÄĘ Tratamento de efluentes ‚Äď Todo o processo recebe tratamento de efluentes e de gases para deixar o processo o mais limpo poss√≠vel.

L√Ęmpadas fluorescentes
De acordo com a √ļltima pesquisa de avalia√ß√£o do mercado de efici√™ncia energ√©tica realizada pelo Programa Nacional de Conserva√ß√£o de Energia El√©trica (Procel), da Eletrobras, o Brasil √© o 10¬ļ maior consumidor mundial de l√Ęmpadas florescentes. Segundo o levantamento, o item √© encontrado em 27% dos lares brasileiros e promove, al√©m da melhoria da ilumina√ß√£o, redu√ß√£o de cerca de 80% do consumo de energia ‚Äď quando comparado √† l√Ęmpada incandescente.
O grande volume deste produto causa preocupa√ß√£o com a sua destina√ß√£o, ao final de sua vida √ļtil, ou interrup√ß√£o de utiliza√ß√£o, seja por defeito, mau funcionamento ou quebra. O descarte inadequado das l√Ęmpadas fluorescentes √© altamente nocivo para o meio ambiente e para a sa√ļde do ser humano. Uma l√Ęmpada deste tipo √© basicamente composta por vidro, p√≥ de f√≥sforo e metais pesados como c√°dmio, merc√ļrio e chumbo. O merc√ļrio √© classificado como res√≠duo perigoso e altamente contaminante, o que exige adequado descarte. Apenas uma l√Ęmpada fluorescente cont√©m, em m√©dia, 10 mg de merc√ļrio e pode contaminar 20 mil litros de √°gua, atingindo solos e provocando diversos males √† sa√ļde.
A Associa√ß√£o Brasileira de Engenharia e Ci√™ncias Mec√Ęnicas (ABCM) realizou uma pesquisa e concluiu que, embora uma l√Ęmpada quebrada libere pequena quantidade de merc√ļrio, o problema ambiental pode ser gerado pelo efeito acumulativo e persistente de componentes qu√≠micos provenientes de muitas l√Ęmpadas.
Quando tem seu recipiente rompido, a l√Ęmpada fluorescente emite vapores de merc√ļrio que s√£o absorvidos por organismos vivos. Al√©m disso, o descarte em aterros faz com que estes res√≠duos contaminem o solo e mais tarde os cursos d‚Äô√°gua.
Em caso de quebra, a Associa√ß√£o Brasileira de Importadores de Produtos de Ilumina√ß√£o (ABilumi) orienta que n√£o sejam utilizados equipamentos de aspira√ß√£o durante a limpeza. √Č salutar que se abram todas as portas e janelas do ambiente para aumentar a ventila√ß√£o. O consumidor deve se ausentar por cerca de 15 minutos do aposento e somente ap√≥s este tempo coletar os cacos de vidro que devem ser postos em um saco pl√°stico.
A organiza√ß√£o recomenda ainda que sejam utilizados aventais e luvas. A utiliza√ß√£o de pap√©is e panos umedecidos pode facilitar a remo√ß√£o de cacos menores. Junte o pano ou papel utilizado ao material recolhido no pl√°stico e feche-o bem para evitar a libera√ß√£o do merc√ļrio no ar. Ap√≥s a finaliza√ß√£o do procedimento √© recomendado lavar bem as m√£os em √°gua corrente e com sab√£o.
Em n√ļmeros reais, o Brasil consome aproximadamente 100 milh√Ķes de l√Ęmpadas fluorescentes por ano e apenas 6% passam por algum processo de reciclagem, segundo dados da ABCM. Desde 2006 vigora em Porto Alegre uma resolu√ß√£o do Conselho Municipal de Meio Ambiente que determina que, empresas que produzem ou comercializam l√Ęmpadas, pilhas e baterias, ofere√ßam postos de coleta e destino adequado aos materiais. Caso n√£o cumpram a regra, os estabelecimentos ser√£o multados.
No Rio de Janeiro, a lei n¬ļ 5131, publicada no Di√°rio Oficial em 14 de novembro de 2007, estabelece que fabricantes, distribuidores, importadores, revendedores e comerciantes de l√Ęmpadas fluorescentes situados no Estado do Rio de Janeiro, s√£o obrigados a colocar √† disposi√ß√£o dos consumidores, recipientes para a sua coleta.
Um par√°grafo √ļnico descreve que os postos de coleta dever√£o ser instalados em locais vis√≠veis e de modo expl√≠cito, contendo instru√ß√Ķes para alertar e despertar a conscientiza√ß√£o do usu√°rio sobre a import√Ęncia e a necessidade da correta destina√ß√£o dos produtos, assim como os riscos que representam √† sa√ļde e ao meio ambiente quando n√£o tratados adequadamente.

Reciclando as l√Ęmpadas
Para que um processo de reciclagem seja considerado eficiente, deve abranger desde um servi√ßo de informa√ß√£o que oriente os geradores de res√≠duos, desde como transportar as l√Ęmpadas para que n√£o quebrem, at√© a garantia de que todo o merc√ļrio seja removido dos componentes de recicl√°veis e que os vapores deste elemento qu√≠mico sejam contidos durante o processo de reciclagem.
O ambiente de manuseio deve contar com analisadores port√°teis para monitorar a concentra√ß√£o de vapor de merc√ļrio de acordo com a medi√ß√£o da Occupational Safety and Health Administration (OSHA), de 0,05 mg/m¬≥), assegurando assim a opera√ß√£o dentro dos limites de exposi√ß√£o ocupacional.
O processo de reciclagem mais usado e em operação em várias partes do mundo pode ser resumido em duas fases:
‚ÄĘ Fase de esmagamento:
As l√Ęmpadas descartadas s√£o introduzidas em processadores especiais para esmagamento e os materiais constituintes s√£o separados por peneiramento, separa√ß√£o eletrost√°tica e ciclonagem em cinco classes distintas:
1- Terminais de alum√≠nio ‚Äď pinos de lat√£o;
2- Componentes ferro-met√°licos;
3- Vidro;
4- Poeira fosforosa rica em merc√ļrio;
5- Isolamento baquelítico.

Nesta fase, as l√Ęmpadas s√£o desfeitas em pequenos fragmentos, por meio de um processador (britador e/ou moinho). Assim, √© poss√≠vel separar a poeira de f√≥sforo contendo merc√ļrio dos outros elementos constituintes. As part√≠culas esmagadas restantes s√£o conduzidas a um ciclone por um sistema de exaust√£o, em que as part√≠culas maiores, tais como vidro quebrado, terminais de alum√≠nio e pinos de lat√£o, s√£o ejetadas do ciclone, separadas por diferen√ßa gravim√©trica e por processos eletrost√°ticos.
A poeira fosforosa e demais particulados s√£o filtrados no interior do ciclone. Em outro mecanismo, de pulso reverso, a poeira √© retirada desse filtro e transferida para uma unidade de destila√ß√£o para recupera√ß√£o do merc√ļrio.
A partir dessa etapa, o vidro, em peda√ßos de 15 mm, pode ser limpo, testado e enviado para reciclagem. A concentra√ß√£o m√©dia de merc√ļrio n√£o pode atingir o m√°ximo de 1,3 mg/kg. Depois de reciclado, o vidro pode ser usado, por exemplo, para a fabrica√ß√£o de produtos para aplica√ß√£o n√£o alimentar.
Depois de limpos, o alum√≠nio e os pinos de lat√£o podem ser enviados para reciclagem em uma fundi√ß√£o. A concentra√ß√£o de merc√ļrio nesses itens n√£o deve exceder o limite de 20 mg/kg. J√° a poeira de f√≥sforo √© normalmente enviada a uma unidade de destila√ß√£o, onde o merc√ļrio √© extra√≠do, recuperado e pode ser reutilizado. A poeira fosforosa pode ser reciclada e reutilizada na ind√ļstria de tintas, por exemplo.
O √ļnico componente da l√Ęmpada que n√£o √© reciclado √© o isolamento baquel√≠tico existente nas extremidades da l√Ęmpada.
Um dos maiores avan√ßos tecnol√≥gicos para a reciclagem de l√Ęmpadas √© apresentado pela empresa Mercury Recovery Technology (MRT), estabelecida em Karlskrona, na Su√©cia. O processador da MRT trabalha a seco, em sistema fechado, incorporado em um ‚Äúcontainer‚ÄĚ de 6,10 m de comprimento. Todo o sistema √© operado a v√°cuo (sob press√£o negativa) para evitar a fuga de merc√ļrio para o ambiente externo (emiss√Ķes fugitivas).
‚ÄĘ Destila√ß√£o de merc√ļrio
Esta fase do processo de reciclagem promove a recupera√ß√£o do merc√ļrio contido na poeira de f√≥sforo. O material √© aquecido at√© a vaporiza√ß√£o do merc√ļrio (temperaturas acima do ponto de ebuli√ß√£o do merc√ļrio, 357 ¬įC). O material vaporizado no processo √© condensado e coletado em recipientes especiais ou decantadores. O merc√ļrio obtido ainda passa por nova destila√ß√£o para remover totalmente as impurezas.
Neste tipo de processo tecnol√≥gico, √© empregada uma c√Ęmara de v√°cuo para a fase de destila√ß√£o. Buscando a pureza de merc√ļrio da ordem de 99,99%, as part√≠culas org√Ęnicas carregadas pelos gases durante a vaporiza√ß√£o do merc√ļrio s√£o conduzidas a uma c√Ęmara de combust√£o onde s√£o oxidadas.
O custo para a reciclagem e descontamina√ß√£o do gerador de res√≠duos depende do volume, dist√Ęncia e servi√ßos espec√≠ficos escolhidos pelo cliente. Uma tradicional empresa do ramo no Brasil, cobra pelos servi√ßos de descontamina√ß√£o valores de R$ 0,60 a R$ 0,70 por l√Ęmpada. N√£o est√£o inclusos neste pre√ßo os custos de frete (transporte), embalagem e seguro contra acidentes.


Fonte: O Setor Elétrico - Edição 83 - Por Anderson Gomes



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